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Política e Judiciário Sexta-feira, 04 de Abril de 2025, 15:00 - A | A

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Política e Judiciário / CRISE NA EDUCAÇÃO

Novo Modelo Educacional: Sintep-MT critica precarização e desumanização com servidores

Sintep-MT acusa a gestão estadual de executar, há sete anos, um plano que enfraquece a educação pública

PAULA VALÉRIA
DA REDAÇÃO

Em Chapada dos Guimarães, no elegante resort Malai Manso, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) encerrou nesta quinta-feira (3) a segunda edição da Convenção com Diretores da rede estadual.

O encontro, que concedeu três dias de descanso aos gestores, faz parte da estratégia da administração de Mauro Mendes, que aposta na meritocracia como ferramenta para alcançar metas de desempenho na educação, mesmo diante do que críticos apontam como o desmonte da rede pública.

Do outro lado, o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) acusa a gestão de executar, há sete anos, um plano que enfraquece a educação pública.

Segundo a secretária de Políticas Educacionais do Sintep-MT, Guelda Andrade, o modelo adotado desde 2019, inspirado em práticas dos estados do Paraná e de São Paulo, se distancia de uma proposta transformadora, deixando de atender as necessidades dos alunos de comunidades mais vulneráveis.

As críticas se estendem às diversas medidas que, segundo o Sintep-MT, têm atacado os direitos dos profissionais da educação: desde a redução salarial, alterações na jornada de trabalho e a eliminação da gestão democrática nas escolas, até a implementação da terceirização de funções e o fim da paridade entre ativos e aposentados.

O anúncio recente de concurso público exclusivo para professores, que exclui os demais integrantes da carreira única, é apontado como mais um capítulo dessa política que pode comprometer a qualidade e a equidade na educação estadual.

Além do desmonte já evidente, há uma tentativa de redefinir o papel dos profissionais da educação na formação dos estudantes, por meio da introdução de policiais militares em funções de gestão.

De acordo com Guelda, a precarização dos serviços de nutrição escolar é outra preocupação dos trabalhadores, destacando o abandono da qualidade educacional. Segundo ela, a decisão de cancelar a contratação de profissionais responsáveis pela alimentação – os AAE/Nutrição (merendeiras) – representa um desrespeito à função desses trabalhadores, que hoje cuidam sozinhos do preparo e do atendimento de mais de 250 alunos.

A dirigente também critica o processo de desumanização que vem se intensificando desde a extinção dos cargos de AAE/Vigias, substituídos por câmeras de segurança. Essa medida, segundo ela, ignora a Lei Complementar 50/98 – a Lei Orgânica dos Profissionais da Educação Básica de Mato Grosso – e desconsidera o papel crucial desses profissionais na garantia de um ambiente escolar seguro.

Guelda alerta que, quando a sociedade tomar plena consciência do que está sendo implementado nesse novo modelo educacional, ficará claro que os índices de aprovação não refletem a qualidade do ensino, mas sim a produção de mão de obra barata, sem a formação de cidadãos críticos e preparados para os desafios da vida.

“O que a educação de Mato Grosso precisa é de um compromisso genuíno com a valorização dos profissionais, a melhoria das condições de trabalho e, sobretudo, a construção de um ensino que prepare os alunos para a vida, incentivando autonomia, reflexão e a capacidade de transformar a sociedade”, concluiu a dirigente.

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